Os princípios do Câmara de Eco.

A finalidade do Câmara de Eco é funcionar como modesta referência para aqueles que procuram novos e velhos sons, publicando informações e indicando bons trabalhos merecedores de audição mais atenta.
Da mesma forma que um amigo empresta um CD a outro, faço questão de apresentar a você, internauta amigo e amiga, boas amostras de rock, jazz, progressivo, blues e folk, e com isso, espero, possamos divulgar a música vista como forma de arte e não como um produto qualquer dentro de uma caixinha acrílica.
Abraços e boa diversão!
Lucon
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sábado, 25 de julho de 2009

Anderson Bruford Wakeman & Howe - Brother Of Mine EP


Se o ABWH não é lá um dos projetos mais geniais da turma do Yes, pelo menos serviu de base para uma grande tour de 74 shows em cerca de oito meses entre 1989 e 1990.
Como bom fã de Yes que sou, particularmente adoro esse trabalho dos caras, mesmo com alguns escorregões pop e/ou world music, mas até nessa praia a banda se sai bem, a exemplo de algumas músicas de The Ladder, lançado em 1999 e Open Your Eyes, de 1997.
Lembro-me como se fosse hoje quando a rede Bandeirantes de TV apresentou o famoso show do ABWH gravado no Shoreline Amphitheatre em 1989, facilmente encontrado hoje em dia em DVD.
Naquela época eu era adolescente e já curtia a banda, e duas imagens ficaram gravadas em minha memória: o mestre Steve Howe tocando novamente com seus antigos amigos e Jon Anderson, com todo seu carisma e simpatia, entrando no anfiteatro no meio do público, acenando e cumprimentando as pessoas enquanto cantava Time And A Word.
Brother Of Mine foi lançado no formato EP promocional em 1989 contendo cinco músicas, dentre elas uma inédita, Vultures In The City, e duas versões alternativas de algumas músicas do álbum.
Por questões legais o ABWH não pode usar o nome Yes, mas esse fato foi benéfico para o grupo, pois logo depois houve a reunião da banda com base no material lançado no péssimo Union (1991) e assim conseguiram colocar o Yes nos trilhos novamente com os trabalhos posteriores.
O mundo dá voltas e mais voltas e o Yes sempre conseguiu se superar. Sorte nossa.

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Yes - Yessongs

Levando-se em consideração que Pictures At An Exhibition (1971) do ELP é um álbum ao vivo com material inédito e que Ummagumma (1969) do Pink Floyd é “meio ao vivo”, pois não passou de uma boa farsa da banda, podemos dizer que entre os grupos de rock progressivo considerados “grandes”, o Yes foi o primeiro a lançar seu álbum ao vivo, em 18 de maio de 1973.
Gravado durante a turnê de 1972 do álbum Close To The Edge (1972, um de seus maiores sucessos), apresenta uma coleção de músicas pautadas nos três últimos lançamentos da banda e o mais legal, foi lançado em LP triplo na época, dando a noção exata de como era uma apresentação completa da banda, apesar de ter sido gravado em datas e localidades diferentes e até por conter bateristas diferentes, pois foi nessa turnê que o baterista original, Bill Bruford, deixou o grupo para integrar a nova formação do King Crimson, sendo substituído pelo ex-Plastic Ono Band, Alan White.
Apesar da pompa e alguns exageros característicos da banda, Yessongs é uma verdadeira viagem musical e astral, e retrata muito bem a exuberância, harmonia e complexidade de suas músicas, como também a extrema técnica de seus integrantes.
O guitarrista Steve Howe com suas incursões acústicas e improvisos, e o megalomaníaco tecladista Rick Wakeman, conviviam muito bem no disputado universo musical do Yes. Yessongs retrata muito bem essa fase de equilíbrio e o que se viu depois foram altos e baixos pelos quais o grupo passou nos anos seguintes.
Wakeman entrou no grupo com fama de superstar e ainda não sofria de ataques rococós, tinha um espaço só para ele onde fazia um medley de seu primeiro álbum solo, The Six Wives Of Henry VIII (1973), enquanto o baixista Chris Squire roubava a cena com seu magistral solo em The Fish (Schindleria Præmaturus).
Jon Anderson com sua voz celestial completava perfeitamente os devaneios e loucuras musicais (no bom sentido) do grupo.
Não posso deixar de citar o belíssimo trabalho gráfico do artista plástico Roger Dean que ilustrou vários trabalhos do grupo e em Yessongs cedeu várias pinturas para o encarte, além do excelente trabalho do engenheiro e produtor Eddie Offord, que soube registrar e produzir o Yes em seus primeiros anos de atividade.
Yessongs também foi parar nas telas dos cinemas ainda em 1973 e o Yes fez história com projetos tão ousados, envolvendo música, imagens e vídeo. Pura arte.


Vide comentários.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Tomorrow - Tomorrow




Falar bem do guitarrista Steve Howe é chover no molhado. Sou fã incondicional desse sujeito por seus timbres e fraseados coloridos, além de sua magistral habilidade tanto com a guitarra elétrica e steel guitar, quanto com instrumentos acústicos, como violões, violas e mandolins (ou bandolim, dependendo da origem).
Antes de despontar no showbusiness com o Yes, no começo da década de 70, Steve Howe teve relativo sucesso com sua banda, o Tomorrow.
Surgida na efervescente Swingin' London em 1967 - cenário cultural que pariu maravilhas como Soft Machine, o Pink Floyd de Syd Barrett, Procol Harum, Arthur Brown, The Move e tantos outros em apresentações mais que antológicas em clubes como o UFO - teve relativo sucesso alavancado pelo single My White Bicycle (já vale pelo disco inteiro) e contou com a seguinte formação em Tomorrow (1968, único álbum da banda): Steve Howe (guitarras), Keith West (vocais), John Wood (baixo) e John Alder (bateria).
Curiosidade: My White Bicycle foi regravada alguns anos depois pelo Nazareth.
Steve Howe já apresentava no Tomorrow uma de suas marcas registradas, as intervenções acústicas, como nas excelentes Real Life Permanent Dream e Revolution, e também seu estilo muito pessoal e característico de tocar guitarra.
Destaque também para a belíssima versão de Strawberry Fields Forever dos Beatles.
Depois de sua passagem pelo Tomorrow, ingressou no Yes e logo de cara gravou o excelente Yes Album (1970, um de meus preferidos), quando pôde mostrar em âmbito internacional o que fazia com uma guitarra em mãos.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Yes - Magnification
















Magnification (2001) é o melhor álbum do Yes desde os dois Keys To Ascension (1996 e 1997).
Sem Tony Kaye, Rick Wakeman, Igor Khoroshev ou qualquer outro tecladista, o Yes surpreendeu ao contar com uma orquestra conduzida e arranjada por Larry Groupe.
Esse disco é simplesmente maravilhoso, está no mesmo patamar de Fragile, Close To The Edge ou Relayer, sem exageros. É um clássico imediato do Yes que devia aos fãs um disco realmente nota dez, desde os tempos de Talk (1994).
Yes anos 80, esqueça. Só serviu para manter o nome em evidência, caso contrário seriam mais uma banda a ingressar no museu do rock progressivo. A coisa começou a mudar com Anderson Bruford Wakeman & Howe (1989) e, apesar de alguns discos medianos, o Yes criou vergonha na cara e voltou a ser "aquele" Yes que todos nós esperávamos. Muito se deve ao retorno de Steve Howe em 1996, um verdadeiro monstro da guitarra. Aliás, Steve Howe rouba a cena em Magnification. Também, como não há teclados, as harmonias e solos sobraram todos para ele.
O interessante e genial é que a orquestra preenche os espaços que seriam de um eventual teclado, e isso meu camarada matou a pau nesse disco.
Desde Time And A Word (1969) o Yes não gravava um disco inteiro com orquestra e foi um presentão para nós, ainda mais quando a turnê também contou com várias orquestras e o tecladista Tom Brislin, em seus 69 shows em seis meses.
Sinto orgulho ao ouvir a banda em músicas como Spirit Of Survival, Magnification, a belíssima Give Love Each Day, a pequena suite In The Presence Of e Can You Imagine, cantada por Chris Squire e relembrando os ótimos momentos de Fish Out Of Water (1975).
Vida longa à música do querido Yes, uma banda surpreendente e um dos maiores baluartes do rock progressivo.

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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Steve Howe - The Steve Howe Album




Steve Howe é meu guitarrista preferido, sou fã incondicional desse cara, portanto suspeito em falar a respeito dele.
Ainda assim, não é preciso um fã para falar bem desse sujeito pois sua vitoriosa carreira já diz tudo.
Foi o segundo guitarrista do Yes, entre 1970 e 1981. Retornou à banda em 1996 e não saiu mais do lugar de onde nunca deveria ter saído.
Dono de uma técnica peculiar e fraseados coloridos, Steve Howe deu uma nova dinâmica ao som do Yes, onde pôs em prática toda sua influência erudita, partindo para vários intrumentos elétricos e acústicos como a guitarra convencional, o double-neck (guitarra de dois braços), a sítara elétrica, slide guitar, violões e violas de 6, 10 e 12 cordas, mandolim e aquela que é sua marca registrada, a Gibson semi-acústica.
Fã de Wes Montgomery, Steve Howe ultrapassou as barreiras do Yes para dar vazão às suas idéias musicais e lançar uma enxurrada de discos solo, principalmente após os anos 90.
The Steve Howe Album (1979) é seu segundo trabalho, primoroso, singular e genial, presenteando seus fãs com tudo aquilo que se espera de um exímio guitarrista: música de qualidade e altíssimo nível.
É emocionante ouvir e ver Steve Howe em ação com toda sua dinâmica e genialidade, trocando de instrumentos e não abrindo mão em utilizar todos os recursos disponíveis para levar ao público suas idéias musicais, ainda que seja apenas e simplesmente um guitarrista.
Além de todas as suas qulidades, Steve Howe também canta e possui um timbre de voz especial, mesmo que esse atributo não seja sua maior especialidade.
Impossível não se emocionar com canções como Pennants, All's A Chord, a belíssima Look Over Your Shoulder e o arranjo tocante e especial para Concerto In D (Second Movement) de Vivaldi e a mejestosa Double Rondo.
Steve Howe sempre será meu herói da guitarra e hoje, no alto de seus sessenta e um anos, está melhor do que nunca.
Sua música e performances estão guardadas no lado esquerdo de meu peito, pelo resto de minha vida.

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