Os princípios do Câmara de Eco.

A finalidade do Câmara de Eco é funcionar como modesta referência para aqueles que procuram novos e velhos sons, publicando informações e indicando bons trabalhos merecedores de audição mais atenta.
Da mesma forma que um amigo empresta um CD a outro, faço questão de apresentar a você, internauta amigo e amiga, boas amostras de rock, jazz, progressivo, blues e folk, e com isso, espero, possamos divulgar a música vista como forma de arte e não como um produto qualquer dentro de uma caixinha acrílica.
Abraços e boa diversão!
Lucon

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dr. John, John Paul Hammond, Mike Bloomfield - Triumvirate

Triumvirate (1973) é o resultado do encontro histórico de três músicos fantásticos: Dr. John, John Paul Hammond e Mike Bloomfield.
A idéia era ter um pianista cujo estilo fosse de Nova Orleans (Dr. John), um ícone da guitarra com raízes no blues de Chicago (Mike Bloomfield) e um vocalista com alma dos grandes mestres do delta (John Paul Hammond).
Foi assim que nasceu o clássico álbum Trumvirate, que talvez na época não tenha causado o impacto esperado mas que serviu pelo menos para saciar a sede dos fãs de cada músico que encarou essa empreitada.
Dr. John está na ativa até hoje, com vários álbuns lançados tanto em estúdio quanto ao vivo. John Paul Hammond teve modesto sucesso mas assim como Dr. John, ganhou o respeito e apreço de músicos de renome como Eric Clapton e Duane Allman, do Allman Brothers. Mike Bloomfield faleceu em 1981 e dos três pode-se dizer que foi o que mais gravou. Tocou ao lado de gente como Al Kooper, Bob Dylan e Stephen Stills.
Pretty Thing, Cha-dooky-doo, It Hurts Me Too e Sho Bout To Drive Me Wild definem muito bem o tesão que é esse disco.

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John Cage - In A Landscape (Stephen Drury)




Entre mortos e feridos encontrei In A Landscape (1994) entre meus CD's e não pude deixar de postá-lo, apesar de focar o rock, jazz, blues, funk e progressivo aqui no Câmara.
In A Landscape sintetiza a obra do compositor norte-americano John Cage (1912-1992), executado por Stephen Drury.
John Cage é um dos precursores do piano percursivo, ou modificado. Como ele próprio o definiu como "prepared piano", com a idéia de executá-lo não como um instrumento melódico mas sim como uma nova possibilidade de extração de timbres, sons e melodias à base de intervenções em suas cordas, fazendo uso de objetos para tal resultado.
Talvez não seja tão citado como deveria, sua obra foi e é de extrema importância para a música contemporênea, por sua ousadia, técnica e experimentalismo.
Compositor à frente de seu tempo, In A Landscape é pautado principalmente em suas criações entre os anos de 1938 e 1948 e prima pelo minimalismo, sequência de repetições (como se prevesse o looping à 50 anos trás) e estruturas melódicas sensíveis, quase frágeis.

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The Chieftains - 5







Outro importante representante da música tradicional irlandesa, obviamente The Chieftains 5 (1975) é o quinto álbum do grupo Chieftains.
Assim como seu conterrâneo Planxty (também postado aqui no Câmara), o Chieftains levou ao mundo a cultura musical de seu país tendo mais de 30 álbuns lançados, entre discos de estúdio, ao vivo e em colaboração com outros músicos, como Van Morrison e James Galway.
Um trabalho instrumental apuradíssimo, riquíssimo em detalhes, sons e timbres tipicamente irlandeses.
Muito mais que um simples álbum, ouví-lo é a conexão com uma cultura distinta da nossa, um dos inúmeros motivos pelos quais vale a pena conhecê-lo, sem falar no prazer indescritível que proporciona. Garanto ser uma viajem sem sair da poltrona.
O músicos que compõem o Chieftains são: Michael Tubridy (flauta, concertina e tin whistle), Seán Potts (tin whistle), Paddy Moloney (uilleann pipes e tin whistle), Martin Fay (fiddle), Derek Bell (harpa, oboé e tiompán), Seán Keane (fiddle), Peadar Mercier (bodhrán e bones) e Ronnie McShane (bones).
Vale lembrar que muitos dos instrumentos aqui descritos são tipicamente irlandeses, como instrumentos de sopro, apitos e uma espécie de gaita de fole irlandesa.

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domingo, 4 de janeiro de 2009

Epidaurus - Earthly Paradise




O Epidauus é uma banda de rock progressivo formado por volta do ano de 1976 na Alemanha.
Influenciado por bandas como Genesis, Camel, Yes e King Crimson, o Epidaurus trás uma belíssima cortina sonora pautada em teclados como Mellotron e Hammond, complementado pela linda voz da vocalista Christiane Wand.
Earthly Paradise é seu debut de 1977, e contava também em sua formação com dois tecladistas, Günther Henne e Gerd Linke, os bateristas Manfred Struck e Volker Oehmig, o baixista Heinz Kunert e o flautista convidado Peter Maier.
Belíssimo trabalho do grupo que tive a oportunidade de conhecer através do antigo programa de Sérgio Avellar na rádio Brasil 2000, A Hora do Dinossauro. Um dos maiores conhecedores e divulgadores do rock progressivo em nosso país.
Não deixe de ouvir a quarta faixa, Andas, no volume máximo!! Progressivão latente para fazer as cabeças!!

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sábado, 3 de janeiro de 2009

Pink Floyd - Animals
















Escrever sobre Animals (1977) do Pink Floyd é uma honra e de muita comoção para mim.
Vou começar de uma maneira um pouco diferente, reproduzindo uma resenha do jornalista Tárik de Souza para a revista Veja, na edição de 18 de maio de 1977:
"Depois de alguns anos de peregrinação pelo fervilhante underground londrino, na segunda metade dos anos 60, o grupo, idealizado pelo enlouquecido guitarrista Sid Barrett (Syd Barrett) , subiu inicialmente aos céus da crítica inglesa ("The Piper at the Gates of Dawn").
Com 4 milhões de cópias vendidas, o LP "The Dark Side of the Moon", lançado há quatro anos, ascendeu também ao estrelato das paradas. Da mesma forma, em relação aos temas de seus discos, o Pink Floyd sempre optou pelas longas planícies sonoras do chamado rock espacial, vizinho da ficção científica. De início, sorridentes e poéticas sondagens estratosféricas. Neste LP, recheado de grunhidos de porcos, cacarejos de galinhas e mujidos de gado, o Floyd arma um ruidoso libelo contra a ocupação do espaço. Agride a Casa Branca ("Pigs") e distribui a esmo avisos paranóicos , como os da faixa "Sheep". Quando Pink Floyd nos seus espetáculos ao vivo canta que os lábios estão amarrados e os pés frios, densos rolos de fumaça impedem o público de ver o porco voador que descerá do teto no momento seguinte.
No LP, estes recursos são substituídos pela profusão de teclados que produz ao mesmo tempo uma sensação de amplidão sonora e execução mecânica, sem resquício de emoção. O Floyd, em seu rock impessoal, parece transmitir de uma aeronave submetida a controle remoto. Contra-indicado, portanto, a ouvintes que costumam manter os pés no chão."
Quando a resenha de Tárik foi publicada na revista Veja eu não tinha nem 1 ano de idade, fui lê-la aos 15 ou 16 anos. Discordei dele anos mais tarde, quando escreve a respeito da opção pela sonoridade chamada rock espacial. Tá certo que o texto é da década de 70 e era um tanto comum na época rotular algumas bandas de rock progressivo como space rock.
Não é o caso do Floyd, apesar da atmosfera de sua música. Pink Floyd, para mim, é apenas uma banda de rock progressivo cuja sonoridade propõe uma "audição visual", onde o ouvinte escuta a música e filmes passam por sua cabeça. Idéia genial. Tão genial que o Floyd colaborou com Barbet Schroeder em More (1969) e La Vallée (1972), com Michelangelo Antonioni em Zabriskie Point (1970) e fez o seu próprio filme, o cultuado Pink Floyd The Wall (1982), dirigido por Alan Parker que, diga-se de passagem, diz ter detestado trabalhar no filme, em entrevista ao Jô Soares há alguns anos.
Em 1977 o mundo estava no centro da guerra fria, onde os EUA e a antiga União Soviética disputavam o domínio e influências sobre países divididos em dois blocos, os capitalistas e os socialistas.
Em pleno anos 2000 estamos vivendo isso novamente, com a recuperação econômica da Rússia e a emergente economia chinesa, formando blocos políticos e econômicos, fazendo contra-ponto aos interesses norte-americanos.
Percebe-se que, quando o mundo passa por grandes opressões é que nascem as grandes obras artísticas. Talvez seja por isso que o Floyd chegou a Animals, o melhor disco de sua trajetória (opinião pessoal essa a minha).
Sim, concordo com Tárik de Souza quando escreve que não há emoção em Animals e entendo isso de maneira positiva e não negativa, como se desqualificasse o trabalho do quarteto, talvez.
Gostaria até de, um dia, poder perguntar isso à ele.
Animals é frio, calculista, denso e introspectivo. O Pink Floyd vinha em uma crescente incrível logo após deixar o selo Harvest, quando ainda lançou o mega-sucesso The Dark Side Of The Moon (1973) e partiu para a CBS, com Wish You Were Here (1975), Animals e The Wall (1979).
Grande parte desse sucesso comercial e qualificatório se deve ao seu tecladista e vocalista Rick Wright.
Algumas vezes visto como um músico em segundo plano na banda, Rick Wright desempenhou um papel fundamental na sonoridade do grupo entre 1972 e 1977, arrasando nos teclados, não como um virtuose como Keith Emerson, Rick Wakeman ou Jon Lord, mas fazendo as bases perfeitas para a sonoridade proposta pelo grupo naqueles anos.
Seus sintetizadores deram o tom de frieza e expectativa a Animals, que poderia muito bem ter sido gravado por uma banda alemã de rock progressivo, mas não seria um clássico.
A história do Floyd, por si só, já cria essa aura em torno de qualquer lançamento, ainda mesmo nos anos 70. Observe a resenha de Tárik, como o Pink Floyd, de certa forma, incomodava.
Ao vivo, os caras eram péssimos, sinto dizer. Após ouvir vários bootlegs dessa fase, comprovei que tanto Roger Waters como David Gilmour não entravam em acordo, os dois davam umas escorregadas violentas nos vocais e pior, Waters era craque em entrar atrasado em Sheep.
Isso diminui minha paixão pelo Pink Floyd? De maneira alguma. É história, só deve ser contada e apreciada, nada mais. É até engraçado ver nossos heróis errando, afinal de contas ninguém é perfeito, "tô certo ou tô errado?", dizia Sinhozinho Malta.
Animals é recheado de "sacadas" legais, como em Sheep, quando a voz de Waters emenda com os sons de sintetizadores (mesma fómula utilizada em Gunner's Dream, do Final Cut (1981), quando sua voz emenda com o solo de sax).
David Gilmour... arrasa no disco. Um dos melhores momentos de sua carreira, genial e preciso. Guitarra nervosa e com desenhos fantásticos - ouça o disco e preste atenção nas bases que ele faz: são inteligentíssimas.
Ouvi Animals em 1986, quando o pai de meu amigo Juninho (in memoriam) trouxe uma fitinha K7 do Paraguai.
Naquela época, parece que os acontecimentos vinham de uma só vez: ouvi o disco e tempos depois li a resenha de Tárik de Souza, mas Animals permanece no quarto de minha casa, entre livros, CD's e DVD's.
Animals está na parte da prateleira onde a poeira não tem tempo de acumular.

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Paice Ashton & Lord - Malice In Wonderland











Se você só gosta do Deep Purple e não tem o menor apreço pelo o que esses caras fizeram fora da banda, então nem continue a ler essa postagem.
Agora, se você gosta ou não de Deep Purple e tem gosto por sons mais funkeados e cheios de groove, então aqui é sua praia.
Após a dissolução do Deep Purple em 1976, o baterista Ian Paice e o tecladista Jon Lord juntaram-se ao também tecladista e vocalista Tony Ashton e formaram o Paice Ashton & Lord, ao lado do guitarrista Bernie Marsden e do baixista Paul Martinez.
Lançaram um único álbum em 1977, Malice In Wonderland e após 13 meses de trabalhos a banda acabou.
Certa vez, Jon Lord disse em uma entrevista à vitão Bonesso, da revista Rock Brigade, que "o Paice Ashton & Lord havia acabado porque Tony Ashton não conseguia encarar grandes platéias..."
O fato é que os caras deixaram esse único álbum, cheio de groove e com pitadas funk e blues.
Com uma sonoridade densa e "gorda" (vide que são dois tecladistas) o álbum possui uma mixagem deliciosa, realçando os graves, dando a densidade ideal e necessária para a proposta da banda.
Ouça músicas como Dance With Me Baby, a pérola Arabella, Ghost Story ou a faixa-título Malice In Wonderland e sinta todo o groove e feeling da banda, como se você mesmo estivesse em um palco tocando com esses caras.
Quem não tem cão caça com gato, diz o ditado. A praia não estava lá muito boa para as bandas hard da época, então uma sonoridade mais funk seria uma boa saída para manter-se no mercado.
Paice Ashton & Lord fez isso sem tirar o pé do rock and roll, com muita classe, estilo e bom gosto, nada que manchasse a reputação dos músicos.
Se fosse a quinze anos atrás eu detestaria esse disco, por ter sido até certo ponto um adolescente radical. Depois que "abri a cabeça" e vi que a música não se resumia a rock progressivo e hard 70's corri atrás do tempo perdido e consegui recuperá-lo, principalmente quando ouço esse Malice In Wonderland.
Tony Ashton faleceu em maio de 2001, um grande amigo do Deep Purple e da família Purple.

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Southern Rock Allstars - Danger Road







Apesar do nome, o Southern Rock Allstars faz um rock and roll pesadão, portanto não espere tanto de southern rock como diz o nome.
Claro, há sim influências de southern, mas o peso é bem predominante. Confesso que esperava mais da banda depois de tanto ler a seu respeito. Não que a banda seja ruim, pelo contrário, é muito boa, mas pelo nome subentende-se que a sonoridade é puro southern rock.
Só pela galera que faz parte do Southern Rock Allstars já vale a pena ouví-los em Danger Road (2002): Jay Johnson (guitarra, vocais), Charles Hart (baixo, vocais) e Scott Mabrey (guitarra e vocais), além dos "agregados" Jimmy Farrar (vocais), Ace Allen (bateria), Mike Estes (guitarra e vocais), Paul Patten (vocais e harmônica) e Keith Pickens (bateria).
Remanescentes de bandas como Lynyrd Skynyrd, Molly Hatchet e Blackfoot, os caras mandam bala em um rock and roll muito bem feito e acabado. O bicho começa a pegar lá pela terceira ou quarta música, como Stump Jumpin', Southbound, The Hill, Danger Road e Messin' With My Living (a melhor do disco).
Pode não ser a oitava maravilha do mundo, mas é gratificante ver que essa turma não aposentou as chuteiras e que tem muita lenha ainda para queimar.

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Faces - Long Player / Ooh La La







Quem diria que o Rod Stewart faria tanta porcaria nos anos 80 depois de ter cantado na banda de Jeff Beck e Faces? Nem parece que o cara veio da mais pura escola rock and roll... bom, ainda bem que seu passado é glorioso, e parte dessa glória está nesses dois álbuns do Faces.
Decidi postar os dois porque estava perdendo muito tempo tentando escolher apenas um, e tempo meu amigo e amiga, é dinheiro e encheção de saco.
Long Player é o segundo disco do grupo, gravado em 1971 e Ooh La La é o quarto e último de estúdio, lançado em 1973.
Absurdamente rock and roll, esses dois trabalhos pegam na veia!
Sabe quando um amigo f.d.p. pede sua ajuda para jogar telhas para cima, no trabalho de cobrir a casa, e o molestado deixa uma escorregar e cai direto em sua cabeça?
Foi assim que me senti quando ouvi esses dois discos do Faces, como se tivesse levado uma "telhada" bem no alto da cabeça!
Também, não poderia ser melhor: com Rod Stewart (vocais), Ronnie Lane (baixo e guitarra), Ronnie Wood (guitarra), Ian McLagan (teclados) e Kenney Jones (bateria) quebrando tudo no mais puro e autêntico rock and roll, com pitadas de blues, southern rock e country rock, o Faces fazia um som digamos redondo, gostoso de ouvir e curtir.
Long Player abre com um rock and roll de levantar defunto, Bad 'n' Ruin, a balada Sweet Lady Mary, Maybe I'm Amazed (ao vivo), Had Me A Real Good Time e mais algumas músicas gravadas ao vivo, enquanto Ooh La La abra com o rockão arrasa-quateirão Silicone Grown, seguida de Cindy Incidentally, My Fault, Borstal Boys e Just Another Honky.
Sim, é verdade que Ooh La La é melhor que Long Player, mas também tem seu grande valor, como tinha Rod Stewart quando ainda tinha vontade de cantar rock and roll.
O tempo passou e ele não teve a preocupação e comprometimento com suas raízes.
Nem arrependimento.

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sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Taj Mahal - The Natch'l Blues






O americano Taj Mahal incorpora ao seu blues elementos da música caribenha e sul-africana, tornando-o um dos mais respeitados bluseiros da geração anos 60, inclusive por gente como os Rolling Stones, Eric Clapton e etc.
Bom, citar os Stones como referência é chover no molhado porque os caras respeitam todos os bluseiros que possam tocar no menor boteco de beira de estrada que há por aí.
Taj Mahal possui uma vasta discografia, desde seu primeiro álbum auto-intitulado de 1968, até 2008 com Maestro.
Natch'l Blues, também de 1968, é seu segundo trabalho e trás uma qualidade musical e de gravação excelentes, variando entre o blues raíz e o blues rock, projetando Taj Mahal ao mundo ao ponto de ser convidado pelos Stones para participar de Rock And Roll Circus, com a eletrizante Ain't That A Lot Of Love, clássico de Natch'l Blues.
O sujeito manda bala no violão, guitarra, banjo, hamônica e qualquer outra coisa que esteja relacionado ao blues. Talvez até em uma garrafa de whisky, vai saber!
Mas isso não importa. O importante mesmo é curtir a já citada Ain't That A Lot Of Love, She Caught The Katy, Done Changed My Way Of Living, Things Are Gonna Work Out Fine ou The Cuckoo.
Uma grande maioria dos mestres do blues, digamos da segunda geração, trabalhou com os primeiros, os maiorais. Com Taj Mahal não foi diferente, também trabalhou com Howlin' Wolf, Buddy Guy, Lightnin' Hopkins e Muddy Waters, e com eles aprendeu todas as manhas do blues.
Continua na ativa, fazendo shows e gravando discos, para o bem e felicidade dos aficcionados pelo estilo.

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Robert Fripp - Exposure


















Robert Fripp, o incrível mentor e líder do legendário King Crimson, partiu para a carreira solo e projetos pessoais como a difusão do Frippertronics e laboratórios musicais, mais conhecidos hoje em dia como workshops, onde Fripp explicava e demonstrava algumas técnicas desenvolvidas por ele e o uso de loops de tapes de rolo, que desenvolveu ao lado de Brian Eno, e batizou de Frippertronics.
Exposure (1979) é tão importante quanto todo seu trabalho junto ao King Crimson, entre 1969 e 1974. É simples e vou explicar minha opinião: quando Fripp mudou-se para Nova Iorque em 1977, entrou em contato com as novas cenas emergentes, como o punk rock e a new wave.
Isso foi determinante para a saúde e desenvolvimento de sua carreira e para a futura reestruturação do King Crimson 80's, que começou com seu embrião, o Discipline em 1980.
Fripp incorporou à sua música elementos desses movimentos citados mais a sua experiência pessoal com os últimos anos de King Crimson para fazer Exposure, um álbum perfeito, em princípio de difícil digestão mas que pouco a pouco vai conquistando o ouvinte com sua massa sonora e idéias geniais e inovadoras de nosso guitarrista.
Além do fato de que Fripp contou com uma turma legal para fazer Exposure, como Peter Gabriel, Peter Hammil, Terre Roche e Daryl Hall (vocais), Phil Collins e Narada Michael Walden (bateria), Tony Levin (baixo) e Brian Eno (teclados).
Exposure é um mix de progressivo latente, sonoridade pesada e caos, como em Disengage, NY3, I May Not Have Had Enough Of Me But I've Had Enough Of You (minha preferida), e músicas mais atmosféricas ou experimentais, como North Star, Here Comes The Flood (cantada por Peter Gabriel e regravada por ele tempos depois), Mary e Exposure, a mais pirada de todas, com uma batida constante, cheia de loops e o vocal incômodo (no bom sentido) de Terre Roche.
Sem mais palavras, o álbum é genial e vale a pena conferir uma amostra do que Robert Fripp andou fazendo após a primeira hibernação do King Crimson.

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Naked Ear - Acoustic Guitar Duolog




Difícil classificar a música da dupla Naked Ear. Digamos que seriam mais ou menos um Duofel germânico. Jazz, folk, erudito, blues e música de vanguarda compõem as dez músicas instrumentais de Acoustic Guitar Duolog (1991).
Formado pelos violonistas Michael Haunschmid e Axel Ebert, o álbum prima por arranjos complexos, sofisticação harmônica e sincronismo perfeito dos dois violonistas.
Sinceramente não tenho nenhuma informação adicional a respeito dos trabalhos dessa dupla além desse álbum, que comprei "no escuro" há uns 10 anos. Na ocasião gostei da capa e resolvi levar pra casa. Atirei no que vi e acertei no que não vi.
Pérolas do álbum: The Capricious Highpriest, Drei Äpfel Am Rande Des Traumes, Tiefer Tauchen, Smägs e CircusmDance.
Se alguém quiser complementar com maiores informações, as portas estão abertas.

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Buddy Miles - Them Changes























Buddy Miles foi o segundo baterista de Jimi Hendrix. Tocou em algumas faixas de Electric Ladyland (1968) e ingressou definitivamente na banda quando o mesmo desmanchou o Jimi Hendrix Experience e formou a Band Of Gypsys em 1969.
Quando Jimi Hendrix ainda estava vivo não foi lançado nenhum material em estúdio somente com Buddy Miles na batera, mas quando a família de Hendrix assumiu os direitos sobre sua obra nos anos 90, vieram os discos First Rays Of The New Rising Sun e South Saturn Delta, ambos lançados em 1997 e com a participação de Buddy Miles e Mitch Mitchell, no caso de South Saturn Delta.
First Rays... é o famoso disco em que Jimi estava trabalhando mas não teve tempo de lançá-lo devido sua morte precoce. South Saturn Delta é um apanhado de sobras de estúdio.
Buddy Miles, excelente baterista, dono de uma voz privilegiada e figura extremamente simpática, influenciado pelo Jimi Hendrix Experience formou sua banda, a Buddy Miles Express, que no ano de 1969 lançou dois trabalhos, Expressway To Your Skull e Electric Church.
Após a morte de Hendrix lançou seu terceiro trabalho, Them Changes (1970), com as paticipações do baixista David Hull e o guitarrista Charlie Karp.
Chegou a tocar e gravar um álbum ao vivo com Santana, intitulado Carlos Santana & Buddy Miles! Live! (1972) e após, não sei dizer por onde esse cara andou, até a nota de seu falecimento em 26 de fevereiro de 2008.
Them Changes mostra o porquê Jimi Hendrix o escolheu para a Band Of Gypsys: músico polivalente, criador, caiu como uma luva para a proposta mais funk adotada por Hendrix em seus últimos registros.
Canções deliciosas como Them Changes, Memphis Train, o jazzão Paul B. Allen,Omaha,Nebraska, Hearts Delight, Dreams e a versão para Down By The River, de Crosby, Stills, Nash & Young.
Interessante como a harmonia dessa música lembra a de Breath do Pink Floyd. Será um plágio por parte do Floyd?
Mais um grande músico que se foi e nos deixa saudades. Era uma testemunha viva dos áureos tempos em que Jimi Hendrix habitou nosso planeta.

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Medeski Martin & Wood - Let's Go Everywhere











O trio nova-iorquino Medeski Martin & Wood lançou três trabalhos só no ano de 2008 - haja grana para acompanhar esses caras!
Dentre eles está um trabalho lançado em setembro destinado às crianças, Let's Go Everywhere, com participação de algumas crianças fazendo vocais e outros convidados. Como sempre, mantendo uma qualidade absurda e com grande maturidade musical, no ano de 2008 o Medeski Martin & Wood passeou entre o jazz, funk e jazz-rock numa boa, apresentando ao público toda sua versatilidade e grande diferencial.
Mais uma vez, capitaneados pelos teclados de John Medeski, o trio apresentou-se no Brasil no mês de setembro do ano passado.
Realizei o grande sonho de vê-los ao vivo quando eu e minha esposa fomos com um casal de amigos, Mateus e Ciça, até sampa para conferir a apresentação dos caras no Sesc Vila Mariana, no dia 20.
Foi um final de semana marcante pois ficamos no apê de nosso amigo André, do Suvaco Blog e após fomos todos ao show.
No Sesc encontramos vários amigos de nossa cidade, Mococa, uma grata surpresa. Mais surpreendente ainda foi encontrar um grande amigo "das antigas", o Waca, sua namorada e o Mauricinho.
Após o show, fomos à um barzinho na Paulista, "bebemoramos" o show e o encontro de vários amigos, como a Letícia, que não nos encontrávamos há 10 anos.
Pensávamos que o show seria pautado nas músicas de Let's Go Everywhere, mas não: o trio mandou ver as músicas de Radiolarians 1, algumas inéditas que estão preparando para um provável Radiolarians 2 e algumas poucas músicas mais antigas.
Foi um estupro musical a apresentação dos caras, bem calcado no jazz-rock e menos funk do que imaginava ser.
Fiquei encantado ao ver que John Medeski estava usando além de um Hammond e um Mini-Moog, um Mellotron!!
Foi a primeira vez em minha vida que pude conferir ao vivo o som de um Mellotron, o Medeski Martin & Wood ao vivo e encontrar grandes amigos para celebrarmos um final de semana marcante e inesquecível, ao som de Medeski Martin & Wood.
Where's the music?? Again!!

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Allan Holdsworth - A Gathering Of Minds



























Bootleg formidável gravado no Montreux-Detroit International Jazz Festival, em 18 de julho de 1980.
Com qualidade de gravação impecável (soundboard) e contando com Jack Bruce (baixo e vocais), Billy Cobham (bateria), Didier Lockwood (violino), David Sancious (teclados) e Allan Hodsworth (guitarra), executam inúmeras peças fantásticas como Crazy Eights, Drifting Into The Attack, Sleight Of Hand e Something In B Flat, em um show perfeito e absurdamente bem tocado.
Allan Holdsworth está na listagem dos melhores guitarristas do mundo, o homem que recriou a guitarra jazz-rock e é captado aqui com a companhia do incrível Billy Cobham e Jack Bruce.
Por se tratar de um bootleg, há de se fazer algumas correções, a começar pela capa que é uma foto do casino que pegou fogo em 1972, às margens do lago Geneva.
Outra falha: o show não é de Allan Holdsworth em 1982 mas sim de Didier Lockwood em 1980. Foi somente transmitido no ano de 82. Em 1980 a cidade de Detroit organizou o festival juntamente com Montreux, portanto foi chamado de Montreux-Detroit International Jazz Festival.
Por último, os títulos das duas primeiras faixas estão trocados um pelo outro, assim que fizerem o download, façam a correção.

Músicas:
1. Mysterious Conversation
2. Crazy Eights
3. Ursellan Summer
4. Drifting Into The Attack
5. Theme From An Imaginary Western
6. Uptown Breakdown
7. Sleight Of Hand
8. Bloody Mary
9. Something In B Flat

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Yes - Magnification
















Magnification (2001) é o melhor álbum do Yes desde os dois Keys To Ascension (1996 e 1997).
Sem Tony Kaye, Rick Wakeman, Igor Khoroshev ou qualquer outro tecladista, o Yes surpreendeu ao contar com uma orquestra conduzida e arranjada por Larry Groupe.
Esse disco é simplesmente maravilhoso, está no mesmo patamar de Fragile, Close To The Edge ou Relayer, sem exageros. É um clássico imediato do Yes que devia aos fãs um disco realmente nota dez, desde os tempos de Talk (1994).
Yes anos 80, esqueça. Só serviu para manter o nome em evidência, caso contrário seriam mais uma banda a ingressar no museu do rock progressivo. A coisa começou a mudar com Anderson Bruford Wakeman & Howe (1989) e, apesar de alguns discos medianos, o Yes criou vergonha na cara e voltou a ser "aquele" Yes que todos nós esperávamos. Muito se deve ao retorno de Steve Howe em 1996, um verdadeiro monstro da guitarra. Aliás, Steve Howe rouba a cena em Magnification. Também, como não há teclados, as harmonias e solos sobraram todos para ele.
O interessante e genial é que a orquestra preenche os espaços que seriam de um eventual teclado, e isso meu camarada matou a pau nesse disco.
Desde Time And A Word (1969) o Yes não gravava um disco inteiro com orquestra e foi um presentão para nós, ainda mais quando a turnê também contou com várias orquestras e o tecladista Tom Brislin, em seus 69 shows em seis meses.
Sinto orgulho ao ouvir a banda em músicas como Spirit Of Survival, Magnification, a belíssima Give Love Each Day, a pequena suite In The Presence Of e Can You Imagine, cantada por Chris Squire e relembrando os ótimos momentos de Fish Out Of Water (1975).
Vida longa à música do querido Yes, uma banda surpreendente e um dos maiores baluartes do rock progressivo.

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